sexta-feira, 8 de junho de 2012

O pequeno príncipe e o tesouro

Um pequeno príncipe que havia perdido tudo o que tinha (algo que ele considerava seu maior tesouro),
frente a um precipício ao qual atiraria-se, sentou-se e iniciou uma profunda reflexão sobre sua vida...


Há algum tempo, por conta de inúmeras circunstâncias da vida, ele vinha acreditando ser pior, inferior, menor...
Que outras pessoas
Que outros comportamentos
Que outros modelos
Que outros gêneros....
Que histórias que já tinham-se findado, ou seja, não ficaram PRESENTES, mas por conta de seus sentimentos de inferioridade, ele as julgava com enorme valor em relação a si próprio.


Mas algo dentro de si, talvez uma pequena força que nem ele próprio sabia que existia, começou a se mover a seu favor. Muito lentamente, muito fracamente, mas PRESENTE.
Essa força foi-lhe fazendo pensar, repensar e começar a acreditar que talvez ele fosse alguém especial, do bem e não do mal, do demônio, ou do lixo, das fezes, e que portanto, merecia mais respeito por si mesmo e o respeito dos outros para consigo.
Este processo ainda está se movendo em modo silencioso, lento, fraco...
Leva o pequeno príncipe a pensar que talvez seja muito mais controlado e estável que muita gente que se julga melhor e equilibrada. 
Ele chega a essa conclusão, que lhe faz tentar superar toda sua inferioridade, a partir do momento em que percebe que as pessoas, para ele, não viram lixo de uma hora pra outra!
E o que ele sente pelas pessoas é algo verdadeiro e duradouro, não somente palavras vazias perdidas no vento e no tempo.


"Milhões de frases sem nenhuma cor" é o trecho da canção que mais lhe toca no momento.




E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.

E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.



Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.
E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"
Antoine de Saint-Exupéry

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